Dica Cultural: Exposição ‘Retratos Imigrantes’ em São Paulo

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Quem terminou O Cavaleiro de Bronze deve se lembrar da cena a qual Tatiana – grávida, sozinha e amedrontada – chega à Ellis Island em seu uniforme de enfermeira da Cruz Vermelha e ao dar a luz em solo americano, sabe que não poderá ser deportada.

Foi com essa cena que Paullina Simons tentou retratar a chegada dos imigrantes nos Estados Unidos: muitos deles fugiam de regimes totalitários (como nossa Tatia), outros simplesmente queriam uma chance de dar uma vida digna a sua família… As motivações que colocam o ser humano frente a frente com a decisão de largar seu povo e seu país em nome de uma nova vida é o grande motto da belíssima exposição que encontra-se no Museu da Imigração em São Paulo.

A exposição conta com fotografias, datadas entre 1900 à 1920 aproximadamente, daqueles que chegaram a Ellis com a expectativa de uma vida melhor e mais digna para suas famílias. Com essa mesma idéia em mente, a exposição traça um paralelo entre as chegadas na Ellis Island e as chegadas na Hospedaria do Brás em São Paulo, onde hoje abriga o Museu da Imigração. Utilizando-se de fotos e um breve sumário sobre as imigrações, o público é levado pelas imagens a conhecer um pouco mais da dura vida daqueles que decidiram largar tudo e seguir um novo (e muitas vezes) obscuro caminho.

Dêem uma olhada em algumas das imagens da exposição abaixo.

DSC04791Família recém chegada a Ellis Island (sem data definida)

DSC04800Mulher Rutena – hoje território próximo à Ucrânia, povoado por Eslavos Orientais (sem data definida)

DSC04813Imigrantes Cossacos (sem data definida)

DSC04815Soldados Russos (sem data definida)

DSC04829Família de Jakob Mittelstadt, Russo Alemã em 9 de Maio de 1905

DSC04831Oito Crianças Orfãs – Mães mortas em um massacre na Rússia em Outubro de 1906. Elas chegaram na Ellis Island em Maio de 1908

1Uma visão de dois dos corredores da exposição.

A exposição ‘Retratos Imigrantes‘ conta com 50 fotografias e muita história para contar; existe algo em comum em todas as imagens: o semblante pesado e dolorido daqueles que saíram de sua pátria (alguns até obrigados) para tentar uma vida nova. É impossível não se emocionar com as fotos e as pequenas linhas explicativas das imagens: no meu caso, fiquei bem abalada pela imagem das oito crianças orfãs e da família Russo Alemã, especialmente pelo semblante do pai das crianças.

Mas para não perder a viagem, fica a dica do The Bronze Horseman BR para que você aproveite e conheça um pouco mais da história da Imigração no Brasil pelas salas extras do Museu da Imigração. Utilizando-se da estrutura deixada pela antiga Hospedaria do Brás – que recebia todos os imigrantes em São Paulo –  o museu nos dá um interessante panorama de como ocorreu a imigração no Brasil de uma forma inteligente e didática. O Museu da Imigração de São Paulo não deixa nada a desejar em relação a Museus no exterior no quesito organização e informação: com artigos usados na época, depoimentos (alguns hilários, como a Lituana que reclamou das pequenas xícaras de café servidas depois do almoço) e muitas, mas muitas relíquias, o Museu recria uma atmosfera até então esquecida por muitos!

DSC04858Nos belíssimos painéis são exibidos cenas daqueles que formariam uma extensa lista de refugiados e imigrantes – na imagem acima temos a fome em Stalingrado, na Rússia, em plena Segunda Guerra Mundial (TBH, alguém!?!?)

DSC04871Museu da Imigração, São Paulo

2E tinha até umas relíquias russas perdidas por lá! ❤

Fica aqui a dica da equipe do The Bronze Horseman Brasil para aqueles que, como nós, se apaixonaram tanto pela história de Tatia & Shura que aprenderam a compreender e ver melhor o mundo em que vivemos! ❤

Como & Onde Visitar:
Visitação:
 terça a sábado, das 9h às 17h, e aos domingos das 10h às 17h.
Até: 30 de Setembro.
Endereço: Museu da Imigração – Rua Visconde de Parnaíba, 1316 – Mooca – São Paulo – poucos minutos da estação de Metrô Bresser-Mooca da linha Vermelha.
Ingresso: R$6 (gratuito aos sábados)
Para maiores informações, é só acessar o site oficial do Museu.

#TBHBRnaRússia | # 8 Cavaleiro de Bronze

‘Na América nós temos um costume. Quando você dá um presente à alguém de aniversário, você deve abri-lo e dizer obrigado. (…) O ‘Cavaleiro de Bronze’ era da minha mãe’, disse Alexander. ‘Ela me deu algumas semanas antes deles a buscarem.’
Tatiana não sabia o que dizer. ‘Eu amo Pushkin.’ (…)
‘Eu imaginei. Todos os Russos o amam.’ ”

Reza uma antiga lenda que São Petersburgo nunca cairia em mãos inimigas enquanto a estátua do Cavaleiro de Bronze estivesse de pé no centro da cidade. Talvez essa seja a grande explicação para uma cidade que sofreu as mais duras consequências de uma guerra ainda esteja em pé e brilhantemente majestosa como sempre foi.

Acho que já deu pra perceber né? Hoje é o dia dele, da estátua que dá nome a obra mais linda ever! ❤ *insira muitos coraçõezinhos aqui* Mas antes, um pouquinho de história russa!

20140627_193851Dá um look na imponência da criança! *—* Meus olhos se encheram d’água quando dei de cara com ele pela primeira vez, a emoção foi tanta que todas as fotos minhas com a estátua saíram uma m#rd@!

Em Junho de 1762, o até então imperador Russo Pedro III (ou Peter III caso prefiram!) foi obrigado a abdicar depois de uma pressão e revolta com sua guarda pessoal, culminando em uma espécie de golpe de estado; após a prisão o ex-imperador foi transferido para um palácio a mais de 50Kms de São Petersburgo onde foi, supostamente, assassinado sob circunstâncias misteriosas. Uma série de culpados foram mencionados, a fofoca se alastrou pela cidade e adivinhem quem foi a primeira a receber um dedinho acusatório na cara? Siiiiiim, a esposa dele (!!), a até então Princesa Alemã Sophie Friederike e agora Imperatriz Catarina, a Grande (ou Catherine, the Great se vocês forem rebeldes!).

E por que raios voltamos para 1762? Porque quem solicitou a belíssima estátua do Cavaleiro de Bronze foi justamente Catarina! A necessidade de se legitimar como nova provedora do povo russo fez com que a imperatriz acabasse recorrendo ao grande patrono da cidade, o imperador Pedro, o Grande (Peter, the Great). E sua idéia para conexão com o povo seria uma belíssima (e enoooooorme!) estátua de Pedro em seu cavalo esmagando uma cobra (algo como uma alusão a traições e inimigos das reformas realizadas por ele no país) e com sua mão estendida em direção ao Rio Neva. O toque de mestre viria a ser a inscrição na pedra que baseia a estátua: “Catarina II para Pedro I, 1782”, na qual a Imperatriz se colocava como herdeira real e absoluta do reinado de Pedro.

TBH1A inscrição gravada à pedido de Catarina: de um lado escrito em cirílico e do outro em latim.

“ ‘Sabe,’ disse Tatiana, “talvez eu preferiria morrer em frente ao Cavaleiro de Bronze com uma pedra em minhas mãos e ter alguém que possa viver a liberdade a qual eu não posso nem ao menos compreender.’ ”

E como uma boa história russa, precisamos de mais drama, sendo assim, em 1833 é lançado o poema ‘O Cavaleiro de Bronze’ de Aleksandr Pushkin, e aqui vai um mini-resumo pra vocês!
“Durante uma inundação em São Petersburgo, Evgenii (também chamado em algumas versões em português de Eugenie) perde sua amada Parasha. Furioso, ele desconta seu ódio na estátua de Pedro, o Grande, culpando-o por ter construído a cidade em um local tão inadequado. Em dado momento, a estátua ganha vida e passa a perseguir Evgenii pela cidade.” – Ficaram curiosos? Hoje no Brasil infelizmente apenas temos a edição em português de Portugal da obra que pode ser comprada aqui!

Foi graças a este poema que a estátua se tornou um símbolo da cidade e passou a ser chamada de ‘O Cavaleiro de Bronze’.  Em nosso amado TBH, Tatiana menciona a escrita de Pushkin várias vezes, chegando a fazer alguns paralelos com as obras do autor e a situação vivida por Leningrado durante o período do cerco. Tamanha é a adoração do povo russo (em especial dos moradores de Píter) que para evitar qualquer dano durante os bombardeios à cidade na Segunda Guerra Mundial, foram colocados sacos de areia e uma espécie de abrigo feito de tábuas de madeira que vocês podem ver aqui.

E na imagem abaixo temos alguns detalhes da estátua: a sua localização privilegiada frente ao Neva, o detalhe da serpente sendo pisoteada por Pedro (que reza a lenda representaria os maiores inimigos da cidade e do reinado do imperador) e a plaquinha linda! ❤ 

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“Em frente a Catedral, às margens do Neva, Tatiana viu o contorno da estátua de Pedro, o Grande em seu cavalo – o Cavaleiro de Bronze – uma abatida silhueta coberta com madeira, lonas e areia. O Cavaleiro de Bronze foi construído por Catarina, a Grande como uma homenagem à Pedro, o Grande por ter construído Leningrado. Esta noite, nada podia ser visto do cavalo negro ou seu majestoso cavaleiro ou de sua mão estendida; apenas sacos de areia para proteger a estátua dos Alemães.”

20140624_200144E olha quem apareceu ali no fuuuuuuuuuuuuundo da foto! ❤ St. Isaac’s é muito próxima do Cavaleiro de Bronze!

E a estátua é alta demaaaaaais, pela expectativa que eu tinha, eu a achei magnificamente alta e perfeita – talvez imponente seja a palavra certa! Fora que dela você tem a visão da cúpula da Catedral de St. Isaac’s (quem ae lembra das encoxadas de Shurinha no alto da catedral levanta a mão! \o/ ) além de estar de frente para o Neva, então já dá pra imaginar que localização é um problema que o Cavaleiro de Bronze não possui! Sempre ouvi falar do fascínio dos russos em relação a fotos de casamento, eventos e derivados, mas ver isso ao vivo foi outra história. Fui duas vezes em direção ao Cavaleiro de Bronze e nas duas me deparei com casais fazendo fotos de casamento, meninas que participavam de algum tipo de concurso (se eu entendesse um pouquinho de cirílico talvez teria desvendado que raios estava escrito naquelas faixas bregas!!), além de turistas… muitos turistas (e eram turistas russos! Mas isso fica pra outro post!).

Semana que vem entraremos em um assunto um pouco mais delicado tanto para aqueles curiosos sobre histórias da Segunda Guerra Mundial quanto aqueles que já leram o segundo livro da trilogia, Tatiana & Alexander (obrigada, Novo Século, por transformar uma trilogia em SEXTOLOGIA!): nosso assunto semana que vem é o campo de concentração de Sachsenhausen na Alemanha.

E aproveitem para dar uma fuxicada nos nossos posts anteriores ou seguir pela tag #TBHBRNaRússia

Capítulo # 1 – Nossa Jornada ao Universo de Tatiana & Alexander

Capítulo # 2 – Leningrado x São Petersburgo: as primeiras impressões da terra de Tatiana Metanova

Capítulo # 3 – Nevsky Prospekt & Rio Neva

Capítulo # 4 – Campo de Marte (Field of Mars)

Capítulo # 5 – Jardim de Verão (Summer Garden)

Capítulo # 6 – Catedral de St. Isaac’s

Capítulo # 7 – Noites Brancas

Até mais! 🙂

~Viviane Cordeiro (Vivika)

#TBHBRnaRússia | # 7 Noites Brancas

O oposto das noites brancas – o Dezembro em Leningrado. Noites Brancas: luz, verão, o brilho do sol, um céu pintado a tons pastéis. Dezembro: escuridão, nevascas, nuvens pesadas, um céu pesado. Um céu opressor.”

E olha só quem voltou *joga confeti e dá um tapa na cara da retardada da Vivika pra ver se ela cria vergonha*!

Infelizmente, como diria a gangue do Porta dos Fundos, a vida não é  um Toddynho gelado e realmente não é mesmo: uma série de problemas e afazeres me deixaram afastada do TBHBR por um boooom tempo e acabei tendo que postergar uma série de coisas, mas eu prometo que não faço mais isso! 😀

E então nada melhor do que retomarmos esta série de posts com uma das coisas mais lindas ever (depois do nosso Shura, é claro!), as noites brancas de São Petersburgo. ❤

20140626_000938Píter por volta da meia noite! Lindo é apelido! ❤

Eu tive sérios problemas na minha primeira noite em terras russas: 11hs da noite e a claridade adentrava o quarto do hostel como uma hóspede inconveniente. Fiquei me perguntando como os russos lidavam com isso, porque para mim aquilo era uma verdadeira aberração – estava preparada para as famosas noites de céu claro e brilhante, mas aquilo era demais.

NoitesBrancas2

A origem do fenômeno das noites brancas é dada devido à magnífica localização de São Petersburgo, no norte do globo terrestre, fazendo com que durante alguns dias (normalmente entre 11 de Junho à 2 de Julho) o sol não se põe o suficiente para que a escuridão tome conta da cidade, ficando pouco abaixo da linha do horizonte.  O brilho da noite é tão indescritível que muitas luzes da cidade permanecem desligadas, e às vezes apenas são acesas depois das 2hs da manhã até meados das 3hs!

Nesta foto temos a belíssima Catedral do Sangue Derramado e uma esquina da Nevsky Prospekt às – adivinhem!! – 21hs! 

“Adeus, minha canção da lua e minha respiração, minhas noites brancas e meus dias dourados, minha água fresca e meu fogo.”

Nas noites seguintes eu decidi me aventurar pela cidade e ficar cara-a-cara com a maldita claridade que tirou meu sono. Logo na primeira noite eu perdi completamente aNoitesBrancas1 noção da hora e depois de ser obrigada a me render ao pior restaurante da rede Subway que visitei em toda a minha vida (era o único local ainda aberto as 11hs e pouca da noite!) e acabei por voltar ao hostel antes da meia noite ao ser vencida pelo grande inimigo de Napoleão, o frio russo! Apesar de estar no verão (lembrem bem deste termo V-E-R-Ã-O!) a temperatura marcava 12C, com uma ventania que me deixou de pernas bambas.

E então, devidamente preparada, fui às ruas na noite seguinte e o que assisti foi algo espetacular e indescritível; as fotos, vídeos e relatos não foram o suficiente para me preparar para aquilo que eu iria ver. A cidade se transforma, ganha ares diferentes e artistas de rua começam a pipocar aos montes (mais do que antes!). Mesmo com os ventos cortantes, me aventurei às margens do Neva, e fiquei andando pelo centro histórico da cidade – tive a impressão de estar em outro local, não parecia ser a mesma cidade que vi anteriormente.  São Petersburgo “brilhava” de uma forma intensa e romântica. Um dos momentos que nosso amado Shura menciona sobre a beleza e o romantismo das Noites Brancas foi mencionado no nosso post sobre o Rio Neva e, realmente, o fenômeno dá uma aura de romance e beleza intermináveis a cidade. É impossível achar outro local no mundo que exale estes sentimentos para os seus visitantes! Nas fotos acima, já se passavam da meia noite e o brilho não se esvaia! ❤ (ah, estão vendo a minha cara de bolacha? Isso era o frio :/ )

Para aqueles que depois de O Cavaleiro de Bronze estão decididos a conhecerem mais da literatura e cultura russa, fica a dica da obra Noites Brancas do eterno-divo-magnanimo-perfeito Fiódor Dostoiévski, e esta obra narra um romance ocorrido durante as noites brancas de São Petersburgo.

20140626_001826E para encerrar este post, fica aquela que talvez tenha sido a mais bela foto que eu consegui em toda a viagem, no arco de acesso ao Hermitage (também conhecido como o Palácio de Inverno) pouco antes das 1hs da manhã.

Nosso próximo post (e se ninguém me sacanear de novo, na semana que vem! :D) será sobre uma certa estátua que dá nome a um certo livro… quem acertar ganha um cookie! \o/

E para quem quiser conhecer os nossos posts anteriores sobre essa nossa viagem a terra de Dn. Tatiana Metanova, é só clicar nos links abaixo ou seguir  tag #TBHBRNaRússia 😀

Capítulo # 1 – Nossa Jornada ao Universo de Tatiana & Alexander

Capítulo # 2 – Leningrado x São Petersburgo: as primeiras impressões da terra de Tatiana Metanova

Capítulo # 3 – Nevsky Prospekt & Rio Neva

Capítulo # 4 – Campo de Marte (Field of Mars)

Capítulo # 5 – Jardim de Verão (Summer Garden)

Capítulo # 6 – Catedral de St. Isaac’s

Até lá! 😀

~Viviane Cordeiro (Vivika)

#TBHBRnaRússia | # 6 Catedral de St. Isaac’s

” ‘Estou indo em direção a St. Isaac’s. Eu cuido dos ataques aéreos acima da cúpula (…)’ “

A Catedral de St. Isaac’s foi dedicada ao São Isaac de Dalmatia, o chamado ‘santo-patrono’ do Czar Pedro, o Grande (olha ele de nooovooo!) e teve sua construção completada em 1858. A belíssima cúpula dourada pode ser vista de qualquer ponto do centro histórico da cidade, sendo uma das maiores construções da Igreja Ortodoxa de São Petersburgo.

pic1Algumas visões da cúpula da Catedral (duas da Praça do Palácio e outra de um certo monumento que nós conhecemos!)

” ‘Eu preciso conversar com você e sozinha. Venha me ver hoje a noite na St. Isaac’s.’ O turbulento coração de Tatiana martelou em seu peito. St. Isaac’s! ‘Alexander, eu mal posso andar os três quarteirões até o hospital. Como eu vou fazer para chegar na St. Isaac’s?’ Mas Tatiana sabia: mesmo que ela tivesse que rastejar, puxando a perna, ela iria chegar até a Catedral.”

Acho que todo mundo lembra das cenas da Catedral! Por muitos momentos do livro, foram as lembranças desta cena que faziam com que Tatiana se mantivesse em pé nos piores momentos – mesmo que durante o período Comunista muitos serviços religiosos fossem proibidos, o encontro furtivo de Tatiana e Alexander na Catedral serviu como uma reavivação de fé em meio ao caos, se podemos assim dizer.  Como boa fã, eu fiquei uns belos minutos olhando para o topo da catedral, relembrando as cenas e rindo sozinha igual uma besta! ❤

20140627_193218A belíssima Catedral de St. Isaac’s!

Com a elevação do regime comunista, os serviços religiosos sofreram uma grande repressão e em 1931 a Catedral se transformou no Museu da História da Religião e Ateísmo, e alguns anos depois as peças relacionadas a Religião e Ateísmo foram transferidas para outra Catedral, a belíssima Catedral de Kazan, e o museu de St. Isaac’s foi focado em artigos da própria igreja.

E aqui vai uma curiosidade: durante a Segunda Guerra Mundial, a cúpula da igreja foi pintada de cinza para confundir a artilharia inimiga e assim evitar ataques aéreos no local. Com a queda do comunismo, uma parte da Catedral foi reaberta e os serviços religiosos foram retomados aos poucos em algumas capelas específicas da Catedral. Hoje, apenas serviços de grande público são realizados ali e a Catedral foi aberta a visitação.

20140625_210506Mais uma imagem da Catedral – na história de O Cavaleiro de Bronze, Tatiana se encontrou com Alexander no topo da cúpula e lá ele contou uma série de detalhes de sua história, e fez com que nós (as pobres fãs) suspirássemos (e chorássemos) ainda mais! ❤

Lembram-se quando falamos sobre  o Hotel Astoria e os bombardeios na Nevsky Prospekt? O Astoria fica na frente da Catedral e reza a lenda (ou a história, who knows!) que Hitler teria reservado o Astoria para comemorar o caput da cidade.

” ‘Você sabe onde fica o Astoria, Tania. É próximo a St. Isaac’s.’ E o rosto de Tatiana enrubesceu.” 

20140627_192655O hotel Astoria fica na praça em frente a Catedral – nesta foto pode-se ver o Hotel como o edifício de topo ‘pontudo’ no centro da foto.  Dá pra imaginar Hitler comemorando a entrada na Rússia ali?

Ficamos por aqui hoje, e na segunda, 11 de Agosto, falaremos de um dos mais belos fenômenos mundiais: as noites brancas de São Petersburgo! Até lá! ❤

~Viviane Cordeiro (Vivika)

#TBHBRnaRússia | # 5 Jardim de Verão (Summer Garden)

Para aqueles que já tiveram a oportunidade de ler a trilogia completa do Cavaleiro de Bronze já tem uma noção do quão importante é esse local (haja visto que é ele que dá nome ao último livro), mas seja em qualquer um dos três livros, o Jardim de Verão é sempre um sonho pra qualquer fã!

Em sua longa vida, o Jardim de Verão já assistiu muitas cenas: a desastrosa inundação de 1777 que acabou com uma boa parcela do Jardim, uma tentativa de assassinato de um Czar… o próprio jardim tem tanta história quanto a cidade! ❤ A localização do Jardim também é uma felicidade a parte: ao lado do Campo de Marte (o Field of Mars que falamos na semana passada), de frente ao Rio Neva! Fala se não é pra se apaixonar? Falando em paixão, para os nossos queridos Tatia e Shura então, o Jardim de Verão é mais que especial.

“Eles cruzaram o Campo de Marte, em direção ao Jardim de Verão. Ao fim da rua, o rio Neva brilhava na luz da noite, por mais que já fosse quase nove horas. O Jardim de Verão era o lugar errado para eles. Alexander e Tatiana não conseguiram achar um banco vazio dentre os longos corredores, as estatuas gregas, e os amantes entrelaçados…”

pic1Algumas imagens do Jardim de Verão! Simplesmente lindo! 

Dentro do espaço onde hoje abriga o Jardim de Verão, também fica a residência de verão do Czar Pedro, o Grande (praticamente o patrono de toda a cidade), além de espaços com belas fontes (relembrando as Fábulas de Esopo) e locais utilizados pelo Czar e sua esposa em visitas ao local. Muitos destes espaços foram destruídos na inundação de 1777 e mesmo com a restauração, nem tudo voltou ao seu devido local.  Todo o Jardim é ladeado por belíssimas estátuas de deuses gregos, mas muitas destas estátuas foram destruídas e réplicas foram comissionadas para tomarem seus lugares.

“Eles finalmente acharam um local para se sentarem, perto da estátua de Saturno. Aquele não era o local ideal, Tatiana pensou, já que Saturno estava com a boca aberta e engolia uma criança (…). Alexander colocou a vodka de lado, e olhou para Saturno. ‘Uma outra estátua teria sido melhor, não acha?’ ele perguntou. ‘Minha comida está entalada na minha garganta enquanto vejo Saturno devorando um dos seus próprios filhos.’ “

20140625_120106E aqui está ele: o banco onde Alexander comemorou o aniversário da Tatiana, de frente a estátua de Saturno (e sim, eu sentei ali também)!! ❤ ❤ 

Siiiiiim, o aniversário de Tatiana! ❤ Talvez uma das passagens mais meigas e emocionantes de todo o livro! Foi uma verdadeira emoção entrar no Jardim de Verão, hoje todo restaurado e sob posse do Russian Museum, a maior entidade histórica do país. Não é cobrado entrada no local, eles apenas pedem uma singela doação para manutenção do Jardim. Logo na entrada você é recebido por uma placa comemorativa da elevação do parque à status de museu e uma explicação interessante para nós, leitores de O Cavaleiro de Bronze: vocês sabiam que mesmo durante o cerco a Leningrado nenhuma árvore foi cortada do Jardim de Verão? Pode-se dizer que é um dos poucos lugares em toda São Petersburgo que se mantém 100% fiel a época.

Bom, ficamos por aqui e quinta feira, 07/08, falaremos sobre a Catedral de St. Isaac’s! Quem lembrar tuuuuuuuuuuuuudo que aconteceu por lá ganha um biscoito! o/

PS: E só pra não dizerem que eu sou malvada, aqui vai meu sorvete de Crème Brûlée direto do Jardim de Verão! (e sim, eu fiquei sentada numa p#rra de um banquinho esperando um soldado de uniforme que não chegou 😥 !)

20140625_114430Meu sorvete de Crème Brûlée, até fiquei sentadinha no banquinho…só faltou meu Shura… #chateada

Até lá!

~Viviane Cordeiro (Vivika)

#TBHBRnaRússia | # 4 Campo de Marte (Field of Mars)

‘Se você precisar acender alguma coisa, acenderemos na chama eterna do Campo de Marte. Nós passamos por ela no domingo passado, lembra-se?’
Ela se lembrava. ‘Não se pode tocar naquela chama Bolchevique,’ disse ela, com um passo para trás. ‘É quase um sacrilégio.’
Alexander riu. ‘Às vezes nós cozinhamos kebabs nela nas nossas noites de folga. Isso é um sacrilégio? Além do mais, eu achava que não existia Deus.’ “

Lembro-me de quando li O Cavaleiro de Bronze pela primeira vez fiquei pensando nessa tal chama eterna… que raios era isso? Eu tenho uma mente muito parecida com a do Bob, lembram dele, do Fantástico Mundo de Bob? Na minha cabeça tudo não passava de uma praça com uma vela enoooorme (eu sei, tenho sério problemas hahahahaha) e sendo bem sincera eu não estava tããão errada! A diferença é a história que essa ‘chama eterna’ e todo o seu parque carregam….
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O campo do Field of Mars (ou Campo de Marte na versão da Ed. Novo Século e Marsovo Pole em russo) é tão ‘idoso’ quanto a própria cidade.  O campo ganhou seu nome devido a Marte, o Deus da Guerra na Mitologia Romana, e por muito tempos o local também ganhou nomes diferentes: Great Meadow, Tsarina’s Meadow, até que em 1818 ganhou o nome pelo qual ficou marcado na memória dos fãs de TBH. E vale comentar que ele fica ao lado do Jardim de Verão!

Durante muito tempo o local serviu para as mais diversas funções como celebrações das vitórias do exército russo, inspeções de tropas, local de treinamento de regimentos. A partir de 1917/1918 o local passou a ser conhecido como Praça das Vítimas da Revolução pois o local acabou se tornando o último abrigo daqueles que morreram durante a Revolução de Fevereiro e tiveram um memorial erguido em sua memória; posteriormente outras vítimas da Guerra Civil também foram enterradas no Campo de Marte. Já durante o cerco a Leningrado, o Campo se transformou em uma enorme plantação de vegetais para ajudar no abastecimento da cidade.

“As flores de lilás deixavam Alexander especialmente feliz – o Campo de Marte ficava cheio delas no alto da primavera. Ele conseguia sentir o cheio desde os barracões. Era um de seus cheiros favoritos, lilás no Campo de Marte. Mas não o seu cheiro favorito: da respiração de uma Tatiana viva enquanto beijava seu rosto inconsciente, como da noite passada. As flores de lilás não conseguiam competir com aquele cheiro.”

20140625_113344As flores podem até não serem as mesmas que Alexander fala, mas a sensação é muito parecida! ❤ E lááá no fundo, as belas cúpulas da Igreja do Sangue Derramado.

Agora vem uma questão interessante: a chama eterna, que Paullina menciona no livro (e inclusive está na citação do inicio deste post) somente foi construída em 1957 (conforme o site oficial da cidade que vocês podem conferir aqui!) – o que significa que dentro da uma reconstrução histórica, Alexander não poderia tê-la usado para esquentar seu kebab! rs É interessante comentar que esta foi a primeira chama eterna em toda Rússia – e que por ter sido a primeira, foi ela que acendeu outras duas que se encontram em importantes monumentos históricos do país (uma no Cemitério de Piskaryovskoye em São Petersburgo, onde estão enterradas as vítimas do cerco e outra no Túmulo do Soldado Desconhecido no Kremlin em Moscou).

1Algumas imagens do Field of Mars

 

Espero que vocês tenham gostado! 🙂 Segunda que vem – preparem os coraçõezinhos! – vamos falar do Jardim de Verão! *suspira* Até lá! ❤

~Viviane Cordeiro (Vivika)

#TBHBRnaRússia | # 3 Nevsky Prospekt & Rio Neva

Alexander carregava Tatiana em suas costas, e com seu braço a protegendo, eles seguiam pelas ruas da cidade de volta a Fifth Soviet. Já passava das duas da manhã. Amanhã o dia deles começaria as seis, e aqui eles continuavam, agarrando-se um ao outro nas restantes horas da noite. Ele a carregou em seus braços pela Nevsky Prospekt. Ela carregava o rifle dele. Ele a carregava em suas costas. Eles estavam totalmente sozinhos, enquanto seguiam pela escura Leningrado.”

A Nevsky Prospekt é de longe um dos grande points da cidade. Extremamente longa e com lojas para todos os gostos, a Nevsky é uma verdadeira loucura. Durante o verão muitas lojas chegam a ficar abertas até meados das 22hs, e graças as Noites Brancas muitas vezes as pessoas (especialmente os turistas, tipo eu!) perdem a noção do horário e quando vão dar por si já passou-se das 23hs e tudo já fechou!

20140625_214949Essa é a Nevsky Prospekt, as NOVE HORAS DA NOITE! ❤ Me apaixonei pelas Noites Brancas!
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