#TBHBRnaRússia | # 7 Noites Brancas

O oposto das noites brancas – o Dezembro em Leningrado. Noites Brancas: luz, verão, o brilho do sol, um céu pintado a tons pastéis. Dezembro: escuridão, nevascas, nuvens pesadas, um céu pesado. Um céu opressor.”

E olha só quem voltou *joga confeti e dá um tapa na cara da retardada da Vivika pra ver se ela cria vergonha*!

Infelizmente, como diria a gangue do Porta dos Fundos, a vida não é  um Toddynho gelado e realmente não é mesmo: uma série de problemas e afazeres me deixaram afastada do TBHBR por um boooom tempo e acabei tendo que postergar uma série de coisas, mas eu prometo que não faço mais isso! 😀

E então nada melhor do que retomarmos esta série de posts com uma das coisas mais lindas ever (depois do nosso Shura, é claro!), as noites brancas de São Petersburgo. ❤

20140626_000938Píter por volta da meia noite! Lindo é apelido! ❤

Eu tive sérios problemas na minha primeira noite em terras russas: 11hs da noite e a claridade adentrava o quarto do hostel como uma hóspede inconveniente. Fiquei me perguntando como os russos lidavam com isso, porque para mim aquilo era uma verdadeira aberração – estava preparada para as famosas noites de céu claro e brilhante, mas aquilo era demais.

NoitesBrancas2

A origem do fenômeno das noites brancas é dada devido à magnífica localização de São Petersburgo, no norte do globo terrestre, fazendo com que durante alguns dias (normalmente entre 11 de Junho à 2 de Julho) o sol não se põe o suficiente para que a escuridão tome conta da cidade, ficando pouco abaixo da linha do horizonte.  O brilho da noite é tão indescritível que muitas luzes da cidade permanecem desligadas, e às vezes apenas são acesas depois das 2hs da manhã até meados das 3hs!

Nesta foto temos a belíssima Catedral do Sangue Derramado e uma esquina da Nevsky Prospekt às – adivinhem!! – 21hs! 

“Adeus, minha canção da lua e minha respiração, minhas noites brancas e meus dias dourados, minha água fresca e meu fogo.”

Nas noites seguintes eu decidi me aventurar pela cidade e ficar cara-a-cara com a maldita claridade que tirou meu sono. Logo na primeira noite eu perdi completamente aNoitesBrancas1 noção da hora e depois de ser obrigada a me render ao pior restaurante da rede Subway que visitei em toda a minha vida (era o único local ainda aberto as 11hs e pouca da noite!) e acabei por voltar ao hostel antes da meia noite ao ser vencida pelo grande inimigo de Napoleão, o frio russo! Apesar de estar no verão (lembrem bem deste termo V-E-R-Ã-O!) a temperatura marcava 12C, com uma ventania que me deixou de pernas bambas.

E então, devidamente preparada, fui às ruas na noite seguinte e o que assisti foi algo espetacular e indescritível; as fotos, vídeos e relatos não foram o suficiente para me preparar para aquilo que eu iria ver. A cidade se transforma, ganha ares diferentes e artistas de rua começam a pipocar aos montes (mais do que antes!). Mesmo com os ventos cortantes, me aventurei às margens do Neva, e fiquei andando pelo centro histórico da cidade – tive a impressão de estar em outro local, não parecia ser a mesma cidade que vi anteriormente.  São Petersburgo “brilhava” de uma forma intensa e romântica. Um dos momentos que nosso amado Shura menciona sobre a beleza e o romantismo das Noites Brancas foi mencionado no nosso post sobre o Rio Neva e, realmente, o fenômeno dá uma aura de romance e beleza intermináveis a cidade. É impossível achar outro local no mundo que exale estes sentimentos para os seus visitantes! Nas fotos acima, já se passavam da meia noite e o brilho não se esvaia! ❤ (ah, estão vendo a minha cara de bolacha? Isso era o frio :/ )

Para aqueles que depois de O Cavaleiro de Bronze estão decididos a conhecerem mais da literatura e cultura russa, fica a dica da obra Noites Brancas do eterno-divo-magnanimo-perfeito Fiódor Dostoiévski, e esta obra narra um romance ocorrido durante as noites brancas de São Petersburgo.

20140626_001826E para encerrar este post, fica aquela que talvez tenha sido a mais bela foto que eu consegui em toda a viagem, no arco de acesso ao Hermitage (também conhecido como o Palácio de Inverno) pouco antes das 1hs da manhã.

Nosso próximo post (e se ninguém me sacanear de novo, na semana que vem! :D) será sobre uma certa estátua que dá nome a um certo livro… quem acertar ganha um cookie! \o/

E para quem quiser conhecer os nossos posts anteriores sobre essa nossa viagem a terra de Dn. Tatiana Metanova, é só clicar nos links abaixo ou seguir  tag #TBHBRNaRússia 😀

Capítulo # 1 – Nossa Jornada ao Universo de Tatiana & Alexander

Capítulo # 2 – Leningrado x São Petersburgo: as primeiras impressões da terra de Tatiana Metanova

Capítulo # 3 – Nevsky Prospekt & Rio Neva

Capítulo # 4 – Campo de Marte (Field of Mars)

Capítulo # 5 – Jardim de Verão (Summer Garden)

Capítulo # 6 – Catedral de St. Isaac’s

Até lá! 😀

~Viviane Cordeiro (Vivika)

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#TBHBRnaRússia | #1 Nossa Jornada ao Universo de Tatiana & Alexander

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Quando você se apaixona por um livro, você se enxerga dentro daquele universo. Cruza as mesmas ruas, respira daquele ar, vive aquelas experiências – acredito que todos os booklovers já passaram por isso (e se não passaram estão perdendo uma experiência muito louca!!).

Ano passado eu tomei uma decisão: por mais de oito anos havia acalentado o sonho de fazer um mochilão por alguns países da Europa (mochilão meeeesmo! Daqueles de dormir no chão do aeroporto e xavecar o tio do hostel por um desconto na diária!). Existiam uma série de fatores que pressionavam para que a minha decisão saísse o mais cedo possível: idade (táááá bom, 28 anos não pode ser considerado como uma idosa, mas quando tu começa a fazer tour em hostel e ver a idade do povo….well…. é f#da!), a Copa do Mundo estava chegando (por mais que a minha Alemanha tenha levado a taça, eu trabalho como professora de inglês em tempo integral, o que significa que durante os trinta dias do campeonato eu não teria $$ e tampouco trabalho, haja visto que criatura nenhuma quer estudar nessa época do ano) e por ae vai.

Durante todo esse processo eu já tinha na minha mente uma idéia dos locais que eu queria visitar: Alemanha, Inglaterra, Irlanda, Rep. Checa, Áustria, Portugal, Espanha e…. Rússia! Siiiiiiiiimmmm! Eu queria ir para a Mãe Rússia e visitar a São Petersburgo que um dia foi a casa de Dostoiévski, de Tchaikovsky, dos Romanovs, do café ruim (mas do chá magnífico!) e, é claro, de Tatiana & Alexander.

Nesta série de posts farei o possível e o impossível para levar os leitores do nosso humilde blog nesta maluca viagem de refazer os passos dos nossos amados personagens. Na Rússia eu ri, chorei, passei raiva, depois transbordei de paixão e alegria… vivenciei São Petersburgo aos extremos como todo bom e velho russo. Andei pelas ruas descritas pela nossa querida Paullina Simons, e nessa caminhada esperava encontrar todos aqueles rostos que eu construi em minha mente enquanto lia a trilogia, e é justamente isso que quero compartilhar com vocês, seus lindos! ❤

Como tem muuuuuuuuuuitas fotos, citações dos livros e só Deus sabe mais o que, dividiremos estes posts em 12 capítulos (incluindo esse de hoje, então não se empolguem!) que serão postados todas as segundas e quintas feiras atéééé final de agosto!

Saibam que tudo aquilo que será postado aqui foi feito de coração aberto não apenas para mim mas para todos que um dia se apaixonaram por esta história. Eu, a Alê e a Fabi queremos levar ‘O Cavaleiro de Bronze’ aos quatro cantos do Brasil, pois afinal, uma história tão magnífica quanto essa merece ser contada!

Muito obrigada pelo carinho e pela paciência que sempre tiveram conosco e sejam bem vindos a nossa “lotação em direção à Rússia de Tatiana & Alexander” ❤

~ Viviane Cordeiro (Vivika)

A Memória de Leningrado

No primeiro livro da trilogia The Bronze Horseman, a autora descreve o cenário de destruição, miséria, desolação da população que ficou confinada em Leningrado no terrível período do cerco imposto pelos alemães nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. A heroína Tatiana, a mais jovem da família, luta incansavelmente contra os pequenos obstáculos impostos não apenas pelo inverno rigoroso que assolou a cidade, mas também contra a fraqueza que se apodera dos corpos dos remanescentes, transformando simples atividades como descer um lance de escadas, em um desafio quase impossível de ser vencido. Mesmo assim, Tatiana nunca desistiu. E testemunhou o sofrimento de seus conterrâneos que enfrentaram os mesmos problemas, nem sempre conseguindo obter êxito. Confira o pequeno excerto abaixo:

“…

Tatiana relutou em olhar para a traseira aberta do caminhão oficial. Os corpos estavam empilhados até três metros de altura, um em cima do outro. “Estas são todas as pessoas que morreram hoje?” Perguntou ao motorista. “Não,” disse ele, “Estas são apenas as que coletamos esta manhã.” Ele inclinou-se em sua direção. “Ontem retiramos mil e quinhentos corpos das ruas. Venda sua vodka, garota, venda e compre algum pão para você”. A entrada do cemitério estava barricada com cadáveres, alguns cobertos com lençóis brancos, outros sem. Tatiana vou uma mãe com uma criança pequena que estava puxando o pai morto até o cemitério, quando elas próprias congelaram na entrada, na neve. Fechando os olhos, Tatiana sacudiu a imagem para longe de sua mente. Ela queria voltar para casa. “Não conseguimos passar. Não conseguimos limpar o caminho. Vamos deixar nossa Babuchka,” disse Tatiana. “O que mais podemos fazer?” Ela e Dasha pegaram o corpo de Babuchka e o deitaram gentilmente na neve próximo aos portões do cemitério. Elas permaneceram de pé diante dele por alguns minutos. Então foram para casa. Venderam suas duas garrafas de vodka e receberam apenas duas bisnagas de pão branco em troca no mercado negro. Agora que Tikhvin se debandou para os Alemães, não tinha mais pão nem mesmo no mercado negro.

…”

~Tradução: Alê (TBHBr)

O post abaixo revela imagens de Leningrado curiosamente sobreposta com fotos atuais de São Petersburgo, tiradas nos mesmos lugares, revelando a memória desse passado doloroso, trazendo-o à tona como um fantasma dos tempos de guerra.

A história nos contou tudo mas frequentemente esquecemos as dificuldades experimentadas por gerações passadas, especialmente durante certas guerras. No entanto, algumas pessoas desenvolvem formas muito criativas e profundas de refletir o tempo que se passou, apresentando sua visão para o mundo sob uma nova luz. Com fé, nossas crianças e as gerações futuras ainda se lembrem que a vida confortável que têm provém de um derramamento de sangue de pessoas no passado.

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