Resenha: “O Cavaleiro de Bronze” por Caroline Gurgel

A Caroline é devoradora de livros, sua página no Skoob tem uma centena de resenhas sobre os mais variados gêneros literários. Pelo que pude perceber, suas resenhas são sempre muito coerentes, ponderadas, divertidas e  algumas apaixonadas, como essa de O Cavaleiro de Bronze!

Me emocionou muito ler essa resenha por que ela descreve com precisão todas as emoções que eu senti ao ler o livro, parecia que estava lendo meus pensamentos.

Não deixem de ler até o fim!

capa nacional O Cavaleiro de Bronze * * * * *

 “Inesquecível, magnânimo, perfeito…


 Não tenho palavras para descrever a magnitude deste livro e quão grandiosa e tocante é esta estória, mas preciso dar voz a esse turbilhão de emoções que sinto. No entanto, antes, aviso-lhes: esse livro é o primeiro de uma trilogia e tem, no original, 900 páginas, mas a edição nacional traz apenas metade – metade, você leu certo – do primeiro livro, como se uma criança tivesse arrancado todas as páginas do meio até o fim do livro. Na minha opinião foi um erro grotesco – pra não dizer outra coisa – da editora lançar apenas a primeira parte, pois nela nada se completa, nada faz sentido. Indignada após constatar tal erro, comprei o ebook original, felizmente, e terminei a leitura. E que bela leitura!

A estória de passa em Leningrado (São Petersburgo), Rússia, com início no começo da Segunda Guerra Mundial, quando os alemães começaram a atacar a fronteira russa. Tatiana é a irmã mais nova de Dasha e gêmea de Pasha, e juntos dividem um pequeno espaço com seus pais e avós. Até que o “camarada” Molotov, ministro de Stálin, faz um pronunciamento via rádio alertando-os dos ataques e a família entra em estado de alerta, dividem algumas tarefas e para Tatiana sobra a busca por mantimentos. Nessa busca conhece Alexander, um soldado, que lhe ajuda e por ela se encanta, mas mal sabe que é irmã de sua namorada, Dasha. 

“Ele vestia uma farda de gala. Do lado esquerdo do peito exibia uma medalha de prata decorada com ouro. […] Por um momento ou dois, Tatiana e o soldado se olharam um ao outro…”

Sim! Uma espécie de triângulo amoroso entre um soldado e duas irmãs, porém de uma maneira que nunca vi antes, e não saberia dizer se pra melhor ou pra pior. No meio dele começa a guerra, e começam os bombardeios, e começa a escassez de alimentos, e começam as mortes, e começam as bebedeiras. 

Nas primeiras páginas a autora faz questão de mostrar o quão Tatiana, em seus 17 anos, ainda era criança, egoísta e cheia de birra, e como a guerra – e o amor – a transformou, repentinamente, em uma incrível mulher. Uma mulher forte, resistente e prestativa. Uma mulher que deixou que toda a culpa caísse sobre ela. Uma mulher que abdicou do que mais queria… e ao mesmo tempo, lutou pelo que mais queria! 

São 900 páginas que prendem o leitor de uma maneira que é impossível largá-lo por qualquer outra atividade. Tem um trecho, cerca de 100 páginas, em que a fome, a redução das rações e a constante saída para comprar a pequena cota de pão velho e duro tornam-se um pouco repetitivos, mas acredito que isso tenha sido necessário para que pudéssemos sentir a dureza e o pavor daqueles dias. Vimos os russos definharem até a morte, vimos tudo virar moeda de troca mesmo em meio ao comunismo, vimos os corpos se acumularem nas ruas, vimos o desespero, mas sobretudo vimos o amor sobreviver a todos os horrores. Um amor puro e singelo, mas de uma força imensurável e um poder inabalável de ultrapassar toda e qualquer barreira.

Os dias passados em Lazarevo fazem até os mais frios dos corações se derramarem, se aquecerem e se extasiarem. É um deleite ver a pequena, doce e inocente Tatiana se transformar em uma mulher de uma perseverança incansável. E digo, com toda a certeza, que um sorriso constante vai tomar conta do leitor nesses e em muitos momentos.

Gosto de romances históricos especialmente por poder aprender mais daqueles momentos do que em qualquer livro de história. A autora abre o livro dedicando-o a seus avós russos, que sobreviveram a Primeira e a Segunda Guerra, a Lênin e a Stalin, e com a leitura fica claro que o testemunho desses avós se faz presente do começo ao fim. No começo da leitura senti falta de uma escrita um pouco mais madura, pois cansei de ler o nome da protagonista, Tatiana, a cada linha. Não sei dizer se a escrita evoluiu no decorrer do livro ou se me vi tão loucamente encantada e presa à trama que nada tirou o brilho do que eu lia.

É uma estória linda, sublime, mas também é triste e nos deixa sempre com um nó na garganta. A fome dói e mata; a guerra estilhaça e mata; mas o amor, só o amor é capaz de tanta entrega, de tanto desprendimento. O amor de Tatiana e Alexander é avassalador, intenso e até trágico, mas, sobretudo, inquebrantável. Recomendo esse livro com todo meu coração, mas aconselho que leiam o livro todo (ou o original em inglês ou a edição de Portugal) ou esperem a editora nacional lançar o livro completo, caso contrário não sentirão essa magnífica estória em toda sua plenitude. 

Nosso muito obrigado à Caroline que gentilmente cedeu sua resenha para compartilharmos aqui no blog. Não deixem de visitar sua página no Skoob para conhecer suas indicações de livros e demais resenhas!

~ Alê

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