“Mas, então, eu conheci você” ~ Citação do dia !

Quem aí nesse sabadão não está com saudades de Shura e Tatia? Hum? Heim? ^-^

– Por favor, pare – sussurrou Alexander, sem olhar para ela.

– Bem, eu consigo sentir, Shura – disse Tatiana, enxugando o rosto e agarrando a mão dele. Ele a afastou. – Você veio aqui, zangado, sim, porque achava que tinha se despedido de mim para sempre em Lazarevo…

– Não é por isso que eu estava zangado e aborrecido.

– Pelo que estou vendo – prosseguiu Tatiana –, você vai ter que se despedir de mim em Leningrado. Mas vai ter que fazer isso olhando no meu rosto, certo?

Tatiana viu os olhos atormentados de Alexander.

(…)

– Alexander, eu sei… você acha que eu não sei? Não tenho nada com isso, mas pense nas coisas que você me conta. Você desejou fugir da União Soviética para a América sua vida toda. Era a única coisa que o manteve vivo, nesses anos do exército. A esperança de que, algum dia, você pudesse voltar para sua casa – disse ela, estendendo a mão em direção a ele. Ele a tomou entre as suas. – Eu tenho razão?

– Você tem razão – disse Alexander. – Mas, então, eu conheci você.  

 O Cavaleiro de Bronze – Livro II – O Portão Dourado

~ Fabi

 

Citação do Dia: “…e não havia nada que ela desejasse mais dele além daquela hora ao final de seu longo dia…”

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Ela estava entrincheirada. Ela cavou uma trincheira chamada Alexander em torno de si, e não podia escapar. Tatiana vivia por aquela hora da noite com ele que a impulsionava para o futuro, e para os dolorosos sentimentos recém formados que ela não conseguia expressar nem compreender. Amigos caminhando ao luminoso anoitecer. Não havia mais nada que ela poderia ter dele, e não havia nada que ela desejasse mais dele além daquela hora ao final de seu longo dia, quando seu coração batia e sua respiração ficava mais curta e ela estava feliz.

– O Cavaleiro de Bronze

~Alê

22 de Junho: E então o soldado atravessou a rua por ela…

Citação especial de 22 de Junho!

Dia em que foi declarado guerra contra a União Soviética. Dia em que Tatiana saiu  de casa para comprar suprimentos para a família e, em vez disso, resolveu tomar um sorvete de crème brûlèe, vestindo seu vestido favorito, branco com rosas vermelhas. Dia em que um soldado alto, com olhar penetrante atravessou a rua para encontrá-la. Dia em que seu destino mudou para sempre.

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“Tania, por que você não tira seus sapatos? Você vai ficar mais confortável. ”
“Eu estou bem”, disse ela. Como ele sabia que seus pés estavam matando-a? Era tão óbvio?
“Vá em frente,” ele cutucou delicadamente. “Será mais fácil para você andar na grama.”
Ele estava certo. Respirando um suspiro de alívio, ela se curvou, desamarrou as sandálias, e as retirou. Endireitando-se e levantando os olhos para ele, ela disse: “Está um pouco melhor.”
Alexander estava em silêncio. “Agora você está realmente pequena”, disse ele, por fim.
“Eu não sou pequena”, ela replicou. “Você que é grande demais.” Corando, ela baixou o olhar.
“Quantos anos você tem, Tania?”
“Sou mais velha do que você pensa”, disse Tatiana, querendo soar adulta e maduro. A brisa quente de Leningrado soprou seu cabelo loiro em seu rosto. Segurando seus sapatos com uma mão, tentou arrumar o cabelo com a outra. Ela desejou ter uma faixa de borracha para prendê-lo num rabo de cavalo. De pé na frente dela, Alexander estendeu a mão e afastou o cabelo de seu rosto. Seus olhos viajaram de seu cabelo para os olhos para a boca onde pararam.
Será que ela tem sorvete todos em torno de seus lábios? Sim, deve ser isso. Que estranho. Ela lambeu os lábios, tentando limpar os cantos. “O que foi?”, ela disse. “Tem sorvete…”
“Como você sabe quantos anos eu acho que você tem?”, Alexander perguntou. “Diga-me, quantos anos você tem?”
“Eu vou fazer dezessete anos em breve”, disse ela.
“Quando?”
“Amanhã”.
“Você nem ao menos tem dezessete anos,” Alexander ecoou.
“Dezessete amanhã!”, Ela repetiu, indignada.
“Dezessete, certo. Muito crescida. “Seus olhos estavam dançando.
“Quantos anos você tem?”
“Vinte e dois”, disse ele. “Vinte e dois, apenas.”
“Oh,” ela disse, e não conseguiu esconder a decepção em sua voz.
“O Quê? Isso é muito velho? “, Perguntou Alexander, não conseguindo manter o sorriso do rosto. “Antigo”, Tatiana respondeu, sem conseguir esconder o sorriso em seu rosto.
Lentamente, eles atravessaram o Campo de Marte, Tatiana descalça e carregando as sandálias vermelhas em suas mãos balançando ligeiramente.

– O Cavaleiro de Bronze

~ Alê

#TBHBRnaRússia | # 7 Noites Brancas

O oposto das noites brancas – o Dezembro em Leningrado. Noites Brancas: luz, verão, o brilho do sol, um céu pintado a tons pastéis. Dezembro: escuridão, nevascas, nuvens pesadas, um céu pesado. Um céu opressor.”

E olha só quem voltou *joga confeti e dá um tapa na cara da retardada da Vivika pra ver se ela cria vergonha*!

Infelizmente, como diria a gangue do Porta dos Fundos, a vida não é  um Toddynho gelado e realmente não é mesmo: uma série de problemas e afazeres me deixaram afastada do TBHBR por um boooom tempo e acabei tendo que postergar uma série de coisas, mas eu prometo que não faço mais isso! 😀

E então nada melhor do que retomarmos esta série de posts com uma das coisas mais lindas ever (depois do nosso Shura, é claro!), as noites brancas de São Petersburgo. ❤

20140626_000938Píter por volta da meia noite! Lindo é apelido! ❤

Eu tive sérios problemas na minha primeira noite em terras russas: 11hs da noite e a claridade adentrava o quarto do hostel como uma hóspede inconveniente. Fiquei me perguntando como os russos lidavam com isso, porque para mim aquilo era uma verdadeira aberração – estava preparada para as famosas noites de céu claro e brilhante, mas aquilo era demais.

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A origem do fenômeno das noites brancas é dada devido à magnífica localização de São Petersburgo, no norte do globo terrestre, fazendo com que durante alguns dias (normalmente entre 11 de Junho à 2 de Julho) o sol não se põe o suficiente para que a escuridão tome conta da cidade, ficando pouco abaixo da linha do horizonte.  O brilho da noite é tão indescritível que muitas luzes da cidade permanecem desligadas, e às vezes apenas são acesas depois das 2hs da manhã até meados das 3hs!

Nesta foto temos a belíssima Catedral do Sangue Derramado e uma esquina da Nevsky Prospekt às – adivinhem!! – 21hs! 

“Adeus, minha canção da lua e minha respiração, minhas noites brancas e meus dias dourados, minha água fresca e meu fogo.”

Nas noites seguintes eu decidi me aventurar pela cidade e ficar cara-a-cara com a maldita claridade que tirou meu sono. Logo na primeira noite eu perdi completamente aNoitesBrancas1 noção da hora e depois de ser obrigada a me render ao pior restaurante da rede Subway que visitei em toda a minha vida (era o único local ainda aberto as 11hs e pouca da noite!) e acabei por voltar ao hostel antes da meia noite ao ser vencida pelo grande inimigo de Napoleão, o frio russo! Apesar de estar no verão (lembrem bem deste termo V-E-R-Ã-O!) a temperatura marcava 12C, com uma ventania que me deixou de pernas bambas.

E então, devidamente preparada, fui às ruas na noite seguinte e o que assisti foi algo espetacular e indescritível; as fotos, vídeos e relatos não foram o suficiente para me preparar para aquilo que eu iria ver. A cidade se transforma, ganha ares diferentes e artistas de rua começam a pipocar aos montes (mais do que antes!). Mesmo com os ventos cortantes, me aventurei às margens do Neva, e fiquei andando pelo centro histórico da cidade – tive a impressão de estar em outro local, não parecia ser a mesma cidade que vi anteriormente.  São Petersburgo “brilhava” de uma forma intensa e romântica. Um dos momentos que nosso amado Shura menciona sobre a beleza e o romantismo das Noites Brancas foi mencionado no nosso post sobre o Rio Neva e, realmente, o fenômeno dá uma aura de romance e beleza intermináveis a cidade. É impossível achar outro local no mundo que exale estes sentimentos para os seus visitantes! Nas fotos acima, já se passavam da meia noite e o brilho não se esvaia! ❤ (ah, estão vendo a minha cara de bolacha? Isso era o frio :/ )

Para aqueles que depois de O Cavaleiro de Bronze estão decididos a conhecerem mais da literatura e cultura russa, fica a dica da obra Noites Brancas do eterno-divo-magnanimo-perfeito Fiódor Dostoiévski, e esta obra narra um romance ocorrido durante as noites brancas de São Petersburgo.

20140626_001826E para encerrar este post, fica aquela que talvez tenha sido a mais bela foto que eu consegui em toda a viagem, no arco de acesso ao Hermitage (também conhecido como o Palácio de Inverno) pouco antes das 1hs da manhã.

Nosso próximo post (e se ninguém me sacanear de novo, na semana que vem! :D) será sobre uma certa estátua que dá nome a um certo livro… quem acertar ganha um cookie! \o/

E para quem quiser conhecer os nossos posts anteriores sobre essa nossa viagem a terra de Dn. Tatiana Metanova, é só clicar nos links abaixo ou seguir  tag #TBHBRNaRússia 😀

Capítulo # 1 – Nossa Jornada ao Universo de Tatiana & Alexander

Capítulo # 2 – Leningrado x São Petersburgo: as primeiras impressões da terra de Tatiana Metanova

Capítulo # 3 – Nevsky Prospekt & Rio Neva

Capítulo # 4 – Campo de Marte (Field of Mars)

Capítulo # 5 – Jardim de Verão (Summer Garden)

Capítulo # 6 – Catedral de St. Isaac’s

Até lá! 😀

~Viviane Cordeiro (Vivika)

Citação do Dia – Obrigada, Deus, por Alexander

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“Ande, ande, não levante o olhar, Tatiana disse a si mesma. Cubra seu rosto com o cachecol, cubra os olhos com ele se precisar, só não levante o olhar, não veja Leningrado, não veja seu jardim onde corpos se empilham, não veja as ruas onde os corpos são abandonados na neve, levante seus pés e passe por cima deles. Desvie dos cadáveres. Não olhe – você não quer ver. Naquela manhã Tatiana viu um homem recém morto, jazendo na rua, faltando a maior parte de seu torso. Não por uma bomba. Seus flancos haviam sido cortados com uma faca.

Procurando a pistola de Alexander no bolso de seu casaco, Tatiana moveu-se silenciosamente pelos montes de neve, seu olhar no chão à sua frente. Ela teve que empunhar a pistola de Alexander duas vezes, na escuridão das primeiras horas da manhã.

Graças a Deus por Alexander.”

 – O Cavaleiro de Bronze

~ Alê

Citação do Dia – Remember Orbeli

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Após tomar sorvete, Alexander e Tatiana caminhavam pelo aterro do Neva, na direção oeste para o pôr do sol, em frente ao esplendor verde e branco do Palácio de Inverno, quando do outro lado da rua Tatiana avistou um homem que a fez parar subitamente.

Um homem alto, magro, de meia idade com uma longa barba cinza estava do lado de fora do museu Hermitage com uma expressão de absoluto pesar.

Tatiana reagiu instantaneamente  àquele rosto. O que poderia fazer um homem parecer daquele jeito? Ele estava parado próximo à traseira de um caminhão militar observando jovens carregando caixas de madeira descendo as rampas do Palácio de Inverno. Era para essas caixas que o homem olhava com tão profundo desgosto, como se elas fossem seu primeiro amor desaparecido.

“Quem é aquele homem?” ela perguntou, tremendamente afetada por sua expressão.

“O curador do Hermitage.”

“Por que ele está olhando desse jeito para as caixas?”

Alexander disse, “Elas são a única paixão de sua vida. Ele não sabe se jamais irá vê-las novamente.”

Tatiana olhou para o homem. Ela quase queria ir lá confortá-lo. “Ele tem que ter mais fé, você não acha?”

“Eu concordo, Tania.” Alexander sorriu. “Ele tem que ter um pouco mais de fé. Depois que a guerra acabar, ele verá suas caixas novamente.”

“Do jeito que ele olha para elas, depois que a guerra acabar ele irá trazê-las de volta sozinho,”

 declarou Tatiana.

– O Cavaleiro de Bronze

~ Alê