A tradição do chá Russo

Você deve ter percebido ao longo da leitura de O Cavaleiro de Bronze os vários momentos em que os personagens tomam chá. Quem não estranhou ou até procurou no google o que é o tal do “samovar” que a família Metanov tanto usa em seu apartamento comunal?

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Vamos falar um pouquinho sobre a tradição de se tomar chá na Rússia.

Os ingleses são conhecidos por seu ‘chá das cinco’, mas são os russos que consomem a bebida com maior frequência ao longo do dia. Podemos dizer que o chá está para a Rússia assim como o café está para o Brasil. Aqui toma-se café de manhã, no intervalo do trabalho, depois do almoço, no lanche da tarde ou ao final da tarde… enfim, é um hábito que está associado não apenas à apreciação da bebida, mas também à interações sociais.

Vamos conhecer algumas peculiaridades dessa tradição:

  1. Os russos tomam chá várias vezes por dia, especialmente durante seus longos invernos, período onde as pessoas ficam mais tempo reclusas em suas residências e em outros locais fechados. A cerimônia de tomar o chá é uma forma de aproximar as pessoas, um momento de interação e uma atmosfera de intimidade;
  2. O tipo de chá comumente tomado na Rússia é o chá preto, oriundo do Sri Lanka ou indiano, que pode ser adoçado com açúcar, mel ou halva (um doce do Oriente Médio, muito popular na Rússia, feito de sementes de gergelim torradas, moídas e misturadas com açúcar derretido. É por vezes temperado com pistache, mel ou baunilha.) Também é muito comum tomar-se o chá com uma fatia fina de limão para dar um toque cítrico no sabor;
  3. Russiantea2Como acompanhamento para o chá, os russos costumam consumir pães, doces e outros tipos de massas, como o pryaniki (pão de gengibre, tem sabor picante e é um pouco borrachudo), vatrushki (anel de massa de pão com queijo cottage no recheio. Às vezes ao invés do queijo, utiliza-se frutas. É como uma rosquinha!), baranki ou sushki (pequenos bagels duros e crocantes que requerem imersão em chá ou café antes de comer);
  4. Um instrumento fundamental para os russos na hora de preparar seu chá é o tal do “samovar”. É um recipiente parecido com um bule, só que bem maior, geralmente feito de bronze (para manter a água aquecida por mais tempo), com uma torneirinha em sua base, a partir do qual é servida a água para preparar o chá. Eles costumam ser belamente decorados, e muitas vezes são feitos de outros materiais como inox ou porcelana. Ele também é muito utilizado para aquecer as residências durante os dias frios de inverno.
  5. russian-tea-time-with-samovar-ksusha-scott“Segundo a tradição russa, quem serve o chá para os convidados é a dona de casa, mas na sua ausência é a filha mais velha. Antigamente a tradição do povo russo era beber chá de xicaras de porcelana, ou até em pires de porcelana, porque dentro do pires o chá esfria mais rápido. Mas hoje em dia qualquer xícara ou caneca serve, e quem quer manter a tradição ainda utiliza o pires.”

Nossa staff Vivika, quando esteve na Rússia (todas invejam) teve a oportunidade de experimentar o tradicional chá russo. Segundo ela tem um sabor delicioso, tão bom que quando ela voltou ao Brasil correu para ver se encontrava o bendito em São Paulo. O que ela encontrou mais parecido foi o Russian Caravan, da famosa marca Twinings. Fica a dica aí para quem quiser sentir um pouco do gostinho da Rússia! 😉

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Fonte

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Tatia, Shura e os Apelidos Russos

Levanta a mão quem ficou com uma bela cara de interrogação ao se deparar com os inúmeros apelidinhos atribuídos à Dasha, irmã de Tatiana Metanova logo no primeiro capítulo de O Cavaleiro de Bronze! õ/ 

Primeira página do 1º Capítulo de O Cavaleiro de Bronze (ed. Novo Século)

Primeira página do 1º Capítulo de O Cavaleiro de Bronze (ed. Novo Século)

Calma, calminha! Posso assegurá-los que muitos outros leitores tiveram a mesma reação.

Quem está habituado à literatura russa deve ter passado as páginas na maior naturalidade, como se aquilo já fizesse parte de sua cultura. Mas para a maioria de nós, esta obra é o primeiro contato com um romance que se passa na Rússia/União Soviética, ou pelo menos uma história que descreva o ambiente doméstico da sociedade russa tão detalhadamente.

 Leva tempo e algumas páginas para nos familiarizarmos com a variedade de nomes atribuídos a cada um dos personagens, o que pode confundir o leitor a princípio, mas uma vez compreendido o contexto em que cada termo está inserido, fica mais fácil assimilar a coisa toda.

Basta compararmos aos nossos nomes e apelidos que utilizamos no dia a dia aqui no Brasil. Por exemplo:

Quase toda Ana Carolina é Carol. A maioria das pessoas a chamam assim. Os familiares a chamam de Cacá, mas quando querem adular, falam Cacazinha, Carolzinha. Mas se a mãe está brava com ela, logo fala: “Ana Carolina não seja atrevida!”. Em uma entrevista de trabalho é Ana Carolina de Oliveira Santos. E assim por diante.

Tatiana. Tania. Tanechka. Tatia. Tatiasha.

Tatiana Georgievna Metanova é Tania para a família e amigos. Carinhosamente é Tanechka. Para conhecidos é Tatiana Georgievna. Para o namorado é Tatia, e em momentos de maior intimidade e carinho, Tatiasha.

Viram? Não é muito diferente, quando encaixados no contexto da história, os apelidos fazem sentido completamente.

Vou simplificar a sistemática de nomes russos aqui para quem ficou curioso e quer saber um pouco mais.

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