#TBHBRnaRússia | # 4 Campo de Marte (Field of Mars)

‘Se você precisar acender alguma coisa, acenderemos na chama eterna do Campo de Marte. Nós passamos por ela no domingo passado, lembra-se?’
Ela se lembrava. ‘Não se pode tocar naquela chama Bolchevique,’ disse ela, com um passo para trás. ‘É quase um sacrilégio.’
Alexander riu. ‘Às vezes nós cozinhamos kebabs nela nas nossas noites de folga. Isso é um sacrilégio? Além do mais, eu achava que não existia Deus.’ “

Lembro-me de quando li O Cavaleiro de Bronze pela primeira vez fiquei pensando nessa tal chama eterna… que raios era isso? Eu tenho uma mente muito parecida com a do Bob, lembram dele, do Fantástico Mundo de Bob? Na minha cabeça tudo não passava de uma praça com uma vela enoooorme (eu sei, tenho sério problemas hahahahaha) e sendo bem sincera eu não estava tããão errada! A diferença é a história que essa ‘chama eterna’ e todo o seu parque carregam….
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O campo do Field of Mars (ou Campo de Marte na versão da Ed. Novo Século e Marsovo Pole em russo) é tão ‘idoso’ quanto a própria cidade.  O campo ganhou seu nome devido a Marte, o Deus da Guerra na Mitologia Romana, e por muito tempos o local também ganhou nomes diferentes: Great Meadow, Tsarina’s Meadow, até que em 1818 ganhou o nome pelo qual ficou marcado na memória dos fãs de TBH. E vale comentar que ele fica ao lado do Jardim de Verão!

Durante muito tempo o local serviu para as mais diversas funções como celebrações das vitórias do exército russo, inspeções de tropas, local de treinamento de regimentos. A partir de 1917/1918 o local passou a ser conhecido como Praça das Vítimas da Revolução pois o local acabou se tornando o último abrigo daqueles que morreram durante a Revolução de Fevereiro e tiveram um memorial erguido em sua memória; posteriormente outras vítimas da Guerra Civil também foram enterradas no Campo de Marte. Já durante o cerco a Leningrado, o Campo se transformou em uma enorme plantação de vegetais para ajudar no abastecimento da cidade.

“As flores de lilás deixavam Alexander especialmente feliz – o Campo de Marte ficava cheio delas no alto da primavera. Ele conseguia sentir o cheio desde os barracões. Era um de seus cheiros favoritos, lilás no Campo de Marte. Mas não o seu cheiro favorito: da respiração de uma Tatiana viva enquanto beijava seu rosto inconsciente, como da noite passada. As flores de lilás não conseguiam competir com aquele cheiro.”

20140625_113344As flores podem até não serem as mesmas que Alexander fala, mas a sensação é muito parecida! <3 E lááá no fundo, as belas cúpulas da Igreja do Sangue Derramado.

Agora vem uma questão interessante: a chama eterna, que Paullina menciona no livro (e inclusive está na citação do inicio deste post) somente foi construída em 1957 (conforme o site oficial da cidade que vocês podem conferir aqui!) – o que significa que dentro da uma reconstrução histórica, Alexander não poderia tê-la usado para esquentar seu kebab! rs É interessante comentar que esta foi a primeira chama eterna em toda Rússia – e que por ter sido a primeira, foi ela que acendeu outras duas que se encontram em importantes monumentos históricos do país (uma no Cemitério de Piskaryovskoye em São Petersburgo, onde estão enterradas as vítimas do cerco e outra no Túmulo do Soldado Desconhecido no Kremlin em Moscou).

1Algumas imagens do Field of Mars

 

Espero que vocês tenham gostado! :) Segunda que vem – preparem os coraçõezinhos! – vamos falar do Jardim de Verão! *suspira* Até lá! <3

~Viviane Cordeiro (Vivika)

#TBHBRnaRússia | # 3 Nevsky Prospekt & Rio Neva

Alexander carregava Tatiana em suas costas, e com seu braço a protegendo, eles seguiam pelas ruas da cidade de volta a Fifth Soviet. Já passava das duas da manhã. Amanhã o dia deles começaria as seis, e aqui eles continuavam, agarrando-se um ao outro nas restantes horas da noite. Ele a carregou em seus braços pela Nevsky Prospekt. Ela carregava o rifle dele. Ele a carregava em suas costas. Eles estavam totalmente sozinhos, enquanto seguiam pela escura Leningrado.”

A Nevsky Prospekt é de longe um dos grande points da cidade. Extremamente longa e com lojas para todos os gostos, a Nevsky é uma verdadeira loucura. Durante o verão muitas lojas chegam a ficar abertas até meados das 22hs, e graças as Noites Brancas muitas vezes as pessoas (especialmente os turistas, tipo eu!) perdem a noção do horário e quando vão dar por si já passou-se das 23hs e tudo já fechou!

20140625_214949Essa é a Nevsky Prospekt, as NOVE HORAS DA NOITE! <3 Me apaixonei pelas Noites Brancas!
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#TBHBRnaRússia | #2 Leningrado x São Petersburgo: as primeiras impressões da terra de Tatiana Metanova

Se preparem porque de agora em diante os posts serão graaaaaaannnndeeees, do tamanho do Rio Neva! HAHAHA

Minha primeira impressão da cultura russa começou com um verdadeiro choque! Viajei de Munique, Alemanha para São Petersburgo com a Cia Aérea Rossiya, um dos braços da gigante russa Aeroflot. Ainda no vôo, a jovem comissária estava distribuindo os lanchinhos da viagem e quando ela parou próxima a mim, eu apenas conseguia vislumbrar a boca dela abrindo e fechando de uma forma desconexa. Foi quando percebi que eu estava indo para um país o qual eu simplesmente não falo a língua – nadinha! Que raios uma professora de inglês vai fazer em um país no qual ninguém fala a língua da terra da Rainha!? Depois dos segundos iniciais de choque, dei um sorriso amarelo e apontei pra latinha de Coca Cola e comecei a repensar em todo o plano de chegada. Não tem aquele ditado, ‘em Roma, faça como os Romanos‘? Eu simplesmente adaptei para ‘na Rússia…‘ e fui a luta!

20140624_165113 V2Essa foi a minha primeira visão de Píter… uma tarde cinzenta em pleno verão!

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#TBHBRnaRússia | #1 Nossa Jornada ao Universo de Tatiana & Alexander

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Quando você se apaixona por um livro, você se enxerga dentro daquele universo. Cruza as mesmas ruas, respira daquele ar, vive aquelas experiências – acredito que todos os booklovers já passaram por isso (e se não passaram estão perdendo uma experiência muito louca!!).

Ano passado eu tomei uma decisão: por mais de oito anos havia acalentado o sonho de fazer um mochilão por alguns países da Europa (mochilão meeeesmo! Daqueles de dormir no chão do aeroporto e xavecar o tio do hostel por um desconto na diária!). Existiam uma série de fatores que pressionavam para que a minha decisão saísse o mais cedo possível: idade (táááá bom, 28 anos não pode ser considerado como uma idosa, mas quando tu começa a fazer tour em hostel e ver a idade do povo….well…. é f#da!), a Copa do Mundo estava chegando (por mais que a minha Alemanha tenha levado a taça, eu trabalho como professora de inglês em tempo integral, o que significa que durante os trinta dias do campeonato eu não teria $$ e tampouco trabalho, haja visto que criatura nenhuma quer estudar nessa época do ano) e por ae vai.

Durante todo esse processo eu já tinha na minha mente uma idéia dos locais que eu queria visitar: Alemanha, Inglaterra, Irlanda, Rep. Checa, Áustria, Portugal, Espanha e…. Rússia! Siiiiiiiiimmmm! Eu queria ir para a Mãe Rússia e visitar a São Petersburgo que um dia foi a casa de Dostoiévski, de Tchaikovsky, dos Romanovs, do café ruim (mas do chá magnífico!) e, é claro, de Tatiana & Alexander.

Nesta série de posts farei o possível e o impossível para levar os leitores do nosso humilde blog nesta maluca viagem de refazer os passos dos nossos amados personagens. Na Rússia eu ri, chorei, passei raiva, depois transbordei de paixão e alegria… vivenciei São Petersburgo aos extremos como todo bom e velho russo. Andei pelas ruas descritas pela nossa querida Paullina Simons, e nessa caminhada esperava encontrar todos aqueles rostos que eu construi em minha mente enquanto lia a trilogia, e é justamente isso que quero compartilhar com vocês, seus lindos! <3

Como tem muuuuuuuuuuitas fotos, citações dos livros e só Deus sabe mais o que, dividiremos estes posts em 12 capítulos (incluindo esse de hoje, então não se empolguem!) que serão postados todas as segundas e quintas feiras atéééé final de agosto!

Saibam que tudo aquilo que será postado aqui foi feito de coração aberto não apenas para mim mas para todos que um dia se apaixonaram por esta história. Eu, a Alê e a Fabi queremos levar ‘O Cavaleiro de Bronze’ aos quatro cantos do Brasil, pois afinal, uma história tão magnífica quanto essa merece ser contada!

Muito obrigada pelo carinho e pela paciência que sempre tiveram conosco e sejam bem vindos a nossa “lotação em direção à Rússia de Tatiana & Alexander<3

~ Viviane Cordeiro (Vivika)

Resenha: Blog ‘Meu celular, uma música e um livro’

Encontrei essa resenha fofíssima no blog Meu Celular, uma Música e um Livro da edição brasileira de O Cavaleiro de Bronze. Nesse post, ela fala somente do primeiro volume, aquele da capa cor de rosa. A autora prometeu publicar posteriormente sua resenha do segundo volume do primeiro livro: O Portão Dourado.

Vou postar aqui alguns trechos da resenha, para ler o texto completo, por favor visite o blog Meu Celular, uma Música e um Livro. ;)

 capa ocdb“Em O Cavaleiro de Bronze acompanhamos a vida de Tatiana Metanova na Rússia Soviética em plena Segunda Guerra Mundial.
Tatiana vive em pequeno apartamento com os pais, avós, o irmão gêmeo Pasha e a irmã mais velha Dasha.”

(…)

“Os Metanov decidem se prevenir e assim mandam Tatiana a cidade para comprar o que julgam necessário para passar bem durante alguns meses.
Foi enquanto esperava o ônibus que ela conheceu Alexander, um soldado da União Soviética.
Tatiana sente uma profunda atração por Alexander desde o momento em que coloca os olhos nele mas sua família a trata como uma criança, então ela não sabe como lhe dar com esse novo sentimento. É uma menina diante de um homem.”

(…)

“O Cavaleiro de Bronze é um livro que mexeu bastante comigo. É uma história maravilhosa que te envolve e te prende, fazendo com que sinta o drama dos personagens.
Tatiana que começa a história como uma garota tímida e inocente tem uma grande evolução que – acredito eu – não se deve apenas a guerra que a obriga a crescer e encarar uma dura realidade mas também ao fato de ser apaixonada pelo namorado da irmã, ser correspondida por ele e ainda sim ser obrigada a esconder esse sentimento de todos.”

(…)

“Eu fiquei impressionada com a generosidade da personagem. Ela é tão bondosa que realmente chega a colocar outras pessoas na frente dela própria. Vemos ela se apaixonar por Alexander e abrir mão dele pela felicidade da irmã, no auge da guerra quando quase não se tem comida ela ainda arranja do pouco que tem para dividir com a vizinha que tem o filho doente. Isso é só um pouco do que ela faz por aqueles que ama.”

(…)

“Eu não sei o que seria de Tatiana e Alexander se não tivessem um ao outro, eles são como dois pedaços de um quebra-cabeça que se completam.
Ela precisa de um suporte para conseguir atravessar o mau tempo assim como ele precisa de uma motivação para permanecer vivo na batalha, e o amor deles é esse suporte, essa motivação.”

(…)

“Também adorei o modo como a autora retrata a segunda guerra. Eu amo história e nunca me canso de saber mais sobre aqueles anos cheios de conflito, no entanto nunca tinha lido nada que me fizesse sentir como se tivesse vivenciado aquilo.”

Ordo Amoris

 

“Tivemos nossos anos felizes, eu e você, mas agora acabou, Baby Blue. Você era pura vida e eu era um tolo, tão jovem … bêbado em nossos passeios no Central Park sob a grande lua amarela e nossos vidros embaçados  do Biltmore. Você estava sempre dizendo que não tínhamos futuro … e você estava certa. Eu tinha sonhado com “non la luna che c’e . Você se lembra quando nós falamos sobre Santo Agostinho? Daquilo ele chamou Ordo amoris, a ordem no amor? Ele disse que a verdadeira virtude e amor verdadeiro para os seres humanos é definido pela atribuição a cada objeto o grau preciso de amor que ele era ele mesmo, que ele merecia. Sempre fomos descompensados nesse sentido. [...] Houve um tempo em que eu pensei que o que eu sentia por você era real. Houve um tempo em que eu pensei que o que eu sentia por você era amor, em maiúsculas: Vy sgubili menya/ochi chernye ¹. Agora eu sou grato porque você sempre soube a diferença, sempre foi mais sensata. Obrigado por abrir meus olhos para o que nós não éramos, mas que tanto se assemelhava a verdade.
Ti amavo e tremo.”

¹”Você me arruinou olhos negros”

The summer garden

Explicação da Fabi <3 : Pessoal, esse quote é um trecho de uma carta lindíssima demais da vida de The summer garden! Não posso falar detalhes pois seria um ultra spoiler… Mas me chamou atenção o Ordo Amoris. Pesquisei seu significado e gostaria de dividir com vocês! ;)

O que é Ordo Amoris? 

Em poucas palavras, Agostinho diferencia, na sua doutrina da ética, dois conceitos fundamentais que nortearão esse aspecto de sua filosofia, a saber, o conceito de uti e frui.

Na vida moral do sujeito, os atos individuais implicam uma tomada de posição frente as coisas. Para Agostinho, utilizamos as coisas ou fruímos as coisas. Fruir significa amar a coisa por ela mesma. Usar é se servir de algo como meio para atingir aquilo que se ama, apenas se o objeto for digno de ser amado, diz Agostinho. A fruição só pode ser de Deus, pois ele é o sumo bem e o único que pode ser amado em si mesmo, por ser Deus e nada estar acima dele.

Como apenas Deus merece a fruição, o amor ilimitado, os outros objetos terão um amor limitado, melhor dizendo, os outros objeto deverão ser limitados ao tipo de amor que eles merecem. “Nossa primeira tarefa moral é, pois, a de ajuizar todas as coisas segundo o seu verdadeiro valor, e de conformar o nosso amor a essa valoração. O resultado de tal procedimento será a instauração da ordem do amor pela prática da virtude, que outra coisa não é senão o amor bem ordenado: ‘Unde mihi videtur, quod definitio brevis et vera virtutis: ordo est amoris‘. O vício, por sua vez, é a inversão desta ordem do amor”.

Basicamente a ordem do amor é isso, e essa ordem será fundamental para Agostinho fundar sua ética e sua ordem social na Cidade de Deus.

Fonte

Trecho do livro "the summer garden" em espanhol.

Trecho do livro “The summer garden” em espanhol.

 

Músicas que são citadas no quote/carta!! :D

Espero que curtam e se emocionem como eu ! *-*

~ Fabi